quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Entrevista com o Padre Geraldo Magela - Pároco da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar

A seguir você acompanha a entrevista realizada com o pároco da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, padre Geraldo Magela, que falou sobre liberdade religiosa, paz e respeito ao próximo.

A mensagem para o dia Mundial da Paz deste ano, escolhida pelo Papa Bento XVI foi “ liberdade religiosa, um caminho para a paz”. No que consiste essa liberdade?
Resp. : “Diante de tantos acontecimento deste ano de 2010 que atentaram contra a liberdade religiosa, o papa quis relembrar a toda a humanidade este direito fundamental do set humano que é o direito à liberdade religiosa. O título da cata é “liberdade religiosa, caminho para a paz”. O papa Nesta carta nessa apresenta a liberdade religiosa como manifestação da dignidade do ser humano que foi criado à imagem e semelhança de Deus e desta forma apresenta uma abertura para o transcedente, para o eterno. Até mesmo uma pessoa que não possui uma religião, não se contenta com essas realidades que vivemos aqui, não se contenta só com a matéria. Ela quer dar um sentido maior à existência e assim são chamados à transcedência que se manifesta em cada um de nós. A experiência religiosa é uma dimensão do ser humano, ou seja é algo inerente a cada um de nós. Por isso o papa insiste neste direito. Quando é negado ao homem o direito a liberdade religiosa o ser humano é desrespeitado naquilo que lhe é mais sagrado que é esta abertura para o transedente. Então o santo padre no chama a atenção  para o valor da experiência religiosa na vida pessoa de cada um e na construção de uma sociedade pois não existe um consenso ético e um respeito pelo próximo quando não se passa por esta experiência religiosa. Quando você tem uma experiência religiosa cria-se um consenso ético que torna possível o respeito pelo próximo e pela diversidade. Não havendo a abertura ao transcedente à humanidade caminha para a degradação, para a violência.”
A perseguição religiosa é um fato presente ainda nos dias de hoje e os cristãos são ainda muito perseguidos. Por que ainda existe essa intolerância?
Resp. : “É verdade. Inclusive o papa coloca na carta que os cristãos hoje são os mais perseguidos. Existem dois tipos de perseguição. A primeira é quando os cristão se encontram como minoria. Em vários países do mundo, especialmente na África e na Ásia os cristãos são minorais e  muitas vezes os Estados não garantem á eles o direito de professarem a fé. Muitos são mortos, outros perdem o emprego, perdem a liberdade. A segunda forma de perseguição citada pelo para acontece no ocidente, especialmente na Europa, é uma perseguição mais silenciosa que trabalha às escondidas e acontece quando se deseja minar a presença da igreja na sociedade. Um exemplo disso é quando se proíbe símbolos religiosos em instituições de ensino e locais públicos negando assim a influência da religião na em outras esferas da sociedade.
O fundamentalismo religioso é um mal, já que não respeita o outro e usa a religião para um fim que não é dela que é a violência e a destruição do diferente.
A igreja não quer ocupar um lugar de poder na sociedade ela quer sim dar sua contribuição para que a sociedade vida em harmonia, para que as pessoas sejam respeitadas.”
Como o ser humano pode ser essa tão sonhada paz no mundo?
Resp. : “A paz é um dom de Deus, por isso sempre rezamos pedimos à Ele que nos dê paz. Nesse tempo somos convidados a invocar Jesus como Messias, Rei do Universo, Príncipe da Paz. Ele é a nossa paz mas esta também é construção nossa. Na medida em que colocamos em prática o evangelho, que respeitamos as pessoas , que através das nossas palavras aproximamos as pessoas, quando aprendemos com a diferença, com a diversidade. Devemos ser pontífices, construtores de pontes para o bem. É importante pensar na Paz no âmbito mundial, mas a paz começa no coração de cada um de nós, quando abafamos nossos instintos egoístas, os desejos de vingança, quando quebramos e espiral da violência levando o perdão e a compreensão. Nesses momentos nos tornamos instrumentos de paz, dentro de nossa casa e essa paz vai assim ressoando na sociedade.
Devemos trabalhar para que a paz seja realidade no mundo, transformando nosso coração, lutando pela justiça, vivendo a verdade e o amor.”

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